Esses dias estava rolando nas redes sociais um texto sobre
pais e filhos que me fez pensar sobre essa mania de comparar “os velhos tempos”
com a vida de agora.
Sabe aquele papo manjado “ah, mas no meu tempo não era
assim”? Pois é, não era mesmo. O mundo muda, as pessoas mudam, muito. As
gerações são todas diferentes.
Tem coisa de antes que era melhor do que é hoje? Tem, muita
coisa, sem dúvida. Mas o que me incomoda é tanta gente querendo para seus
filhos o mesmo que elas tiveram em suas vidas.
Eu não. Eu quero mais, eu quero melhor! Eu quero que meu filho
seja melhor que eu. Deus me livre a gente ser uma geração que só repetiu os
mesmos erros e acertos dos nossos pais, perdendo a maravilhosa oportunidade de
melhorar nosso mundo criando pessoas melhores que nós mesmos. Convenhamos né,
gente: todas as pessoas do mundo inteiro sem exceção tem seus problemas,
questões mal resolvidas, carências. Todos, quer vocês queiram assumir ou não.
Dificuldades de relacionamento, ansiedade, baixa auto-estima, o que for, são em
grande parte fruto de uma infância que na sua memória pode parecer perfeita (e
espero mesmo que tenha sido), mas que tinha espaço para melhorar. Sempre há
espaço para melhorar!
Não me entendam mal: eu tenho lindas lembranças da infância,
outras nem tanto, naturalmente. Amo muito meus pais, sou muito grata por tudo
que eles fizeram e fazem por mim. São pessoas maravilhosas, com seus defeitos e
suas belezas. Mas hoje eu percebo que algumas escolhas deles ao direcionar minha
educação, me prejudicaram de uma ou de outra forma. E é sobre todas essas
coisas, e outras tantas, que eu reflito, pesquiso, me informo, buscando me
preparar para oferecer alternativas melhores de educação aos meus filhos.
Vou acertar 100% com meus filhos? Certamente que não. Mas eu
vou tentar. Ah, se vou. Não vou me entregar a discursinhos prontos de
“funcionou comigo, eu sobrevivi”, numa fala tão egoísta e pequena que me dá até
pena de quem pensa assim.
Eu conheci uma mãe que preteriu um filho em benefício de
outro que era mais parecido com ela. Aquele que evoluiu, que cresceu, que é
“diferente”, é deixado de lado, enquanto que aquele que tem condutas de vidas
mais próximas das dela, é favorecido, preferido mesmo. Triste, muito triste e
injusto de ver. Mas minha surpresa foi maior quando notei que esse quadro se
repete em muitas famílias. E foi aí que comecei a perceber como a grande
maioria das pessoas quer mais é que seus filhos sejam reflexos deles mesmos,
numa atitude tão egoísta que me assusta.
Claro que eu fico feliz de ver certos traços meus ou de meu
marido nas atitudes do meu filho. Mas só o que eu tenho de realmente bom. Eu
quero mais é ver florescer nele qualidades que jamais percebi em mim.
Por tudo isso, eu digo: podemos resgatar boas práticas do
passado, da nossa infância, da dos nossos pais, com certeza! Devemos. Mas para
isso é preciso refletir e informar-se para saber separar o joio do trigo; o que
de bom fica, o que de ruim vai, e o que de novo entra.